terça-feira, 8 de dezembro de 2009

The next one: Bukowski


Cause And Effect




the best often die by their own hand


just to get away,


and those left behind


can never quite understand


why anybody


would ever want to


get away


from


them

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

A dança da chuva




" Você a conhecia bem?
Ela deu de ombros. Sim, desde que cheguei aqui, treze anos atrás. Ela era uma pessoa excelente, até quase no final.

Então ela mudou?

Sim, respondeu ela com voz sumida, olhos fitos num bando de patos que desciam bamboleando a outra margem do rio. Depois acho que ela ficou um pouco perturbada. Ah, Sr. Kensie, ela queria morrer. Queria tanto, tanto.

Queria morrer ou queria ser salva?

Ela voltou a cabeça para mim: Isso não é a mesma coisa? Querer ser salvo? Num mundo como este? É...

Seu rosto pequeno se anuviou, assumindo uma expressão amarga, e ela balançou a cabeça várias vezes.

É o quê?

Ela olhou para mim como se olha uma criança que pergunta por que o fogo queima, e as estações mudam.
Bem, é como rezar para chover, não é, senhor Kenzie? Levantou as mãos para cima, para o céu sem nuvens. Rezar para chover no meio de um deserto, fazer a dança da chuva."

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

A verdade que o espelho me conta



CANÇÃO DE UMA DAMA NA SOMBRA

Quando vem a taciturna e poda as tulipas:
Quem sai ganhando?
Quem perde?Quem aparece na janela?
Quem diz primeiro o nome dela?
É alguém que carrega meus cabelos.
Carrega-os como quem carrega mortos nos braços.
Carrega-os como o céu carregou meus cabelos no ano em
[que amei.
Carrega-os assim por vaidade.
E ganha.
E não perde.
E não aparece na janela.
E não diz o nome dela.
É alguém que tem meus olhos.
Tem-nos desde quando portas se fecham.
Carrega-os no dedo, como anéis.
Carrega-os como cacos de desejo e safira:

era já meu irmão no outono;
conta já os dias e noites.
E ganha.
E não perde.
E não aparece na janela.
E diz por último o nome dela.
É alguém que tem o que eu disse.
Carrega-o debaixo do braço como um embrulho.
Carrega-o como o relógio a sua pior hora.
Carrega-o de limiar a limiar, não o joga fora.
E não ganha.
E perde.
E aparece na janela.
E diz primeiro o nome dela.
E é podado com as tulipas.

Quando penso em você

Imagino isso. Sua luz radiante, leitosa.

Por tudo que foste e ainda é.





"DO AZUL que ainda busca seu rosto, sou o primeiro a beber.

Vejo e bebo de teu rastro:
Deslizas pelos meus dedos, pérolas, e cresces!
Cresces como todos os esquecidos
Deslizas: o granizo negro da melancolia
Cai num lenço, todo branco pelo aceno da despedida. "
 

Paul Celan

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Lying because of this muted because of this castrated debauched disinherited because of this fooled by this used by this pissed on by this made crazy and sick by this made violent made inhuman


A dor só vale a pena quando transformada em algo maior à altura do que faz sangrar. Não é o meu caso. Mal pinto, mal desenho, mal escrevo. Mas, sei chorar. Serve?


- A senhora vê só o trânsito que anda essa cidade. Daqui a pouco vai parar. Aliás, vai parar, não. Já parou...


As palavras do taxista solitário se afastaram lentamente até se tornarem apenas paisagem folha verde-escuro no meu caminho solitário pela mata, onde me refugio toda vez dentro de mim. As buzinas, um canto hipnótico que me leva a um transe pesado. Meu olhar fixa um ponto além, pairando nas luzes incandescentes dos faróis que vêm e vão, vão e vêm. Não estou aqui, flutuo por cenas do passado.




- É, a senhora falou uma verdade. Falta transporte público. E também ponte, túnel, viaduto. Onde se viu uma cidade grande feito São Paulo com umas ruazicas que mal cabe duas bicicletas? Não pode, não...




Tremedeira sem direção. 
Um mar que nunca seca, não importa quantas vezes tenha transbordado, parece sempre haver mais água salgada. Mais dor.
Em alto mar na noite escura, naufrágio em lua minguante. Ouve as ondas, enxerga o invisível, sabe que vai morrer.
Tenho certeza do que peço e choro mais. Eu só quero encontrá-la.


- São quarenta e nove reais, moça. Quer recibo?


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Dinosauria, we


born like this
into this
as the chalk faces smile
as Mrs. Death laughs
as the elevators break
as political landscapes dissolve
as the supermarket bag boy holds a college degree
as the oily fish spit out their oily prey
as the sun is masked 
we are
born like this
into this
into these carefully mad wars
into the sight of broken factory windows of emptiness
into bars where people no longer speak to each other
into fist fights that end as shootings and knifings born into this
into hospitals which are so expensive that it's cheaper to die
into lawyers who charge so much it's cheaper to plead guilty
into a country where the jails are full and the madhouses closed
into a place where the masses elevate fools into rich heroes born into this
walking and living through this
dying because of this
muted because of this

castrated
debauched
disinherited
because of this
fooled by this
used by this
pissed on by this
made crazy and sick by this
made violent
made inhuman
by this the heart is blackened
the fingers reach for the throat
the gun
the knife
the bomb
the fingers reach toward an unresponsive god the fingers reach for the bottle
the pill
the powder we are born into this sorrowful deadliness
we are born into a government 60 years in debt
that soon will be unable to even pay the interest on that debt
and the banks will burn
money will be useless
there will be open and unpunished murder in the streets
it will be guns and roving mobs
land will be useless
food will become a diminishing return
nuclear power will be taken over by the many
explosions will continually shake the earth
radiated robot men will stalk each other
the rich and the chosen will watch from space platforms
Dante's Inferno will be made to look like a children's playground the sun will not be seen and it will always be night
trees will die
all vegetation will die
radiated men will eat the flesh of radiated men
the sea will be poisoned
the lakes and rivers will vanish
rain will be the new gold the rotting bodies of men and animals will stink in the dark wind the last few survivors will be overtaken by new and hideous diseases and the space platforms will be destroyed by attrition
the petering out of supplies
the natural effect of general decay and there will be the most beautiful silence never heard born out of that. the sun still hidden there awaiting the next chapter.

domingo, 15 de novembro de 2009

O nome. Algum nome.







Eu chamo de " o pior que poderia jamais me acontecer";  meu pai de " uma terrível perda que todos nós teremos que enfrentar"; meus amigos de "um espanto, uma coisa que ninguém ainda acredita"; minha avó de "a vontade de Deus"; o melhor amigo dela de "inacreditável"; a melhor amiga de " muito foda. Muito, muito foda".


Meu psiquiatra chama de depressão;  minha pasicanalista de "trauma pela perda de uma relação simbiótica"; meu ex-caso de "não consigo nem imaginar"; meu ex-amigo de "muito duro".


Levanto e tomo café.


A vida acontece lá fora.


Aqui dentro, som de teclado distante.


Minha voz em algum lugar.


Toca o telefone.


"Mariana?"


"Mariana".


Mariana em algum lugar, Mariana em lugar algum. Mariana que se esvai entre uma noite e outra, que sangra pouco a pouco numa tela em branco.


Mariana que dá um sorriso já sabendo, que te beija se despedindo, que vai embora sem nunca ter estado.
Mariana que insiste em escrever, que não tem coragem de pular, que prefere acender um cigarro e lembrar. Mariana de cores desbotando.


Mariana que desencanta.

sábado, 14 de novembro de 2009

Call Tyrone




Pois é. Nossa diva de timbre fino e boca "volúpia" cantou o "saco cheio" divinamente and I couldn´t have done better. E é nesse mood que eu me encontro nessa abafada noite de sábado, após ter trabalhado o dia inteiro que nem uma mula.

Sou uma pessoa à flor da pele. Capaz de parar no meio do trajeto para o trabalho para admirar o céu azul ou de chorar ouvindo uma música no Ipod.

Nos momentos em que duvidava de mim, minha irmã agarrava as minhas bochechas e brincando dizia: " tá precisando de confete!". Séria, desfilava um discurso elaborado e psicanalizado que me instruiria a parar de me importar tanto com a opinião alheia.

Carola e eu tínhamos pequenos rituais como, por exemplo, o de sábado de manhã: íamos juntas à padaria, esticávamos o jornal na mesa e ficávamos horas tomando um, dois e até três médias enquanto animadamente filosofávamos sobre a vida e líamos os artigos mais interessantes em voz alta uma para outra.

Hoje tomei o café preto sozinha e chorei agarrada a um jornal que não consegui nem começar a ler.





Quem sou eu

Minha foto
Ella M.
Do meu computador, vejo o jardim e a foto dela
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